O chamado “grau”, também conhecido como wheeling, é uma prática motociclística que envolve empinar a moto, equilibrar-se em uma roda e executar manobras técnicas ou radicais como RL, zerinho, ralar rabeta, drifting, corte de giro, entre outras. Nos últimos anos, essa prática saiu da periferia e das ruas para arenas, eventos, competições e debates legislativos em todo o Brasil.
Mas afinal: é crime? esporte? profissão? pode ou não pode?
O QUE É O GRAU?
“Dar grau” significa controlar a motocicleta em situações extremas de equilíbrio, normalmente sobre a roda traseira, com domínio de aceleração, freio traseiro, embreagem e centro de gravidade.
Para alguns, é expressão cultural urbana.
Para outros, é infração grave ou risco social.
Na prática, depende de onde, como e com autorização de quem.
É CRIME?
Na via pública, pode ser infração gravíssima e até crime
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB), Art. 244, inciso III, estabelece que conduzir motocicleta “fazendo malabarismo ou equilibrando-se apenas em uma roda” é infração gravíssima, com multa, suspensão da CNH e retenção do veículo.
Penalidades:
- Multa gravíssima
- Suspensão do direito de dirigir
- Recolhimento da habilitação
- Retenção da moto
Quando pode virar crime?
Se a prática configurar demonstração perigosa não autorizada em via pública, colocando pessoas em risco, pode se enquadrar no Art. 308 do CTB, relacionado à exibição de perícia não autorizada com risco à segurança.
Em resumo:
Rua aberta + risco + sem autorização = problema legal sério
É ESPORTE?
Sim, quando ocorre em ambiente controlado e regulamentado
Projetos legislativos municipais, estaduais e federais vêm discutindo o reconhecimento do wheeling como modalidade esportiva, desde que praticado em locais apropriados, com segurança e autorização oficial. Minas Gerais e diversos municípios já discutiram ou propuseram regulamentações específicas.
Para ser esporte:
- Área fechada
- Autorização pública
- Equipamentos de segurança
- Organização técnica
- Seguro / estrutura
Assim como automobilismo ou motocross, o “grau” em arena pode ser visto como esporte de habilidade.
É PROFISSÃO?
Diretamente, não como profissão formalizada
Não existe “grauzeiro” como profissão regulamentada nacionalmente.
Porém, pode gerar renda como:
- Piloto de show
- Influenciador digital
- Atleta de wheeling
- Instrutor em eventos
- Criador de conteúdo
- Patrocinado por marcas
Ou seja: não é profissão legal reconhecida como categoria trabalhista, mas pode se tornar atividade econômica dentro da legalidade.
QUEM PODE FAZER?
Legalmente:
- Condutor habilitado (CNH A)
- Moto regularizada
- Equipamentos exigidos
- Local permitido
Na prática esportiva:
Menores podem participar apenas sob regras específicas de competições fechadas, autorização dos responsáveis e regulamento próprio.
ONDE PODE FAZER?
NÃO PODE:
- Ruas
- Avenidas
- Rodovias
- Trânsito comum
- Espaços públicos sem autorização
PODE (em tese):
- Pistas fechadas
- Arenas
- Eventos autorizados
- Competições licenciadas
- Espaços privados adequados
QUAIS CIDADES OU MUNICÍPIOS É LEGALIZADO?
Não existe “cidade onde pode sair empinando na rua”.
O que existe são municípios ou estados discutindo ou reconhecendo o wheeling como prática esportiva somente em local apropriado, não liberando vias públicas.
Importante:
“Legalizado” normalmente significa:
Permitido em eventos, arenas ou espaços regulamentados, não no trânsito urbano comum.
SÓ PODE EM EVENTOS?
Não necessariamente.
Pode ocorrer em:
- Treinos privados
- Arenas particulares
- Competições
- Shows
- Festivais
Mas sempre:
Com autorização + segurança + local adequado
PRINCIPAIS MANOBRAS DO GRAU
1. RL (Rear Lift)
Levantar a traseira da moto usando freio dianteiro, equilibrando a roda traseira no ar.
2. Zerinho
Girar em círculos com a roda dianteira ou traseira em ponto de equilíbrio.
3. Ralar Rabeta
Quando a parte traseira da moto (rabeta) raspa no chão durante o empinamento.
4. Bob’s
Empinada técnica com controle prolongado.
5. Corte de Giro
Aceleração extrema no limite do motor, muitas vezes associada a exibição sonora.
6. Drift / Borrachão
Derrapagem controlada.
7. No Hand / Suicide
Soltar as mãos (altíssimo risco).
MOTOCICLISTAS X MOTOQUEIROS: EXISTE DIFERENÇA?
Esse debate é mais cultural do que oficial.
“Motociclista”
Frequentemente associado a:
- Pilotagem consciente
- Cultura de estrada
- Equipamento
- Segurança
- Motoclubes
- Turismo e irmandade
“Motoqueiro”
Muitas vezes usado de forma popular ou pejorativa para:
- Uso imprudente
- Trânsito agressivo
- Desrespeito
- Grau irregular em via pública
Mas atenção:
Nem todo praticante de grau é irresponsável, e nem todo motociclista tradicional é exemplo absoluto.
A diferença real está menos no rótulo e mais na conduta.
GRAU: CULTURA OU PROBLEMA?
Pode ser cultura quando:
- Há técnica
- Segurança
- Espaço apropriado
- Disciplina
Vira problema quando:
- Coloca terceiros em risco
- Ocorre em via pública
- Incentiva imprudência
- Busca notoriedade sem responsabilidade
A QUESTÃO SOCIAL
O grau cresceu muito como expressão periférica, digital e urbana — especialmente com redes sociais.
Para muitos jovens, é:
- Status
- Habilidade
- Pertencimento
- Estilo
Mas o desafio é separar:
ESPORTE / CULTURA
de
INFRAÇÃO / RISCO SOCIAL
CONCLUSÃO
Grau não é automaticamente crime, mas pode ser ilegal dependendo do contexto.
Não é profissão formal, mas pode gerar carreira.
Pode ser esporte, desde que regulamentado.
Regra central:
Na rua: infração (e possivelmente crime)
Na arena: esporte ou show
VISÃO FINAL: RESPEITO DEFINE A CATEGORIA
A grande linha que separa o verdadeiro amante das duas rodas do inconsequente não é a cilindrada, o colete ou a manobra.
É responsabilidade.
Porque pilotar exige liberdade — mas liberdade sem responsabilidade vira apenas imprudência.
Fontes legais e referências:
CTB Art. 244 e penalidades administrativas
Análise jurídica sobre Art. 308 e risco criminal
Projetos de regulamentação esportiva municipal/estadual




